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Condomínio aprova férias remuneradas de 30 dias para roteador Wi-Fi após anos de serviço ininterrupto

Em uma assembleia extraordinária realizada na noite de terça-feira, os moradores do Edifício Solar das Acácias aprovaram por 14 votos a favor, 3 contra e 2 abstenções a concessão de férias remuneradas de 30 dias ao roteador Wi-Fi do hall de entrada, equipamento que, segundo ata registrada em cartório, "nunca tirou um único dia de folga desde 2017". A medida, inédita na história condominial brasileira, prevê que o aparelho seja desligado da tomada, envolto em plástico-bolha e acomodado em uma caixa térmica com sachês de sílica, onde permanecerá em "repouso absoluto" até o dia 15 do próximo mês.

Roteador de férias em caixa térmica

A decisão veio após meses de tensão entre os moradores, que relatam episódios recorrentes de lentidão, quedas de conexão e um comportamento que muitos classificam como "claramente passivo-agressivo". "Ele pisca a luzinha vermelha justamente quando eu estou no meio de uma reunião importante", declarou a síndica Marta Rezende, acrescentando que o equipamento já foi advertido verbalmente em duas ocasiões. "Chegou a hora de reconhecer que ele também precisa descansar. Ninguém aqui é de ferro, e o roteador, aparentemente, também não."

Assembleia de condomínio com moradores votando

O advogado do condomínio, Dr. Fernando Queiroz, explicou que a medida tem respaldo jurídico na chamada "cláusula do bom senso", prevista informalmente em qualquer convenção condominial desde que ninguém reclame alto o suficiente. "Trata-se de uma relação de trabalho atípica entre um objeto inanimado e uma coletividade de pessoas que dependem dele para assistir séries", afirmou. "Se o roteador tem jornada exaustiva, ele tem direito ao repouso. É o mínimo que uma sociedade civilizada pode oferecer a quem sustenta o home office de trinta e duas unidades."

Síndica Marta Rezende falando ao telefone

Durante o período de férias, os moradores terão acesso a uma rede de emergência chamada "Wi-Fi_do_Seu_Joao", operada a partir do apartamento 302, com senha que será trocada a cada seis horas por questões de segurança e para manter o suspense. O síndico profissional ficará responsável por distribuir senhas impressas em papel timbrado, mediante assinatura de termo de responsabilidade e apresentação de RG. Quem precisar de conexão urgente poderá se dirigir ao hall e conversar pessoalmente com o vizinho, prática conhecida como "interação humana presencial", cuja última ocorrência registrada no prédio data de 2019.

Roteador com luz vermelha piscando durante reunião

A administradora do condomínio informou que o roteador receberá, ainda, um bônus de produtividade retroativo equivalente a 3% do valor do condomínio, pago em forma de upgrade de plano de internet assim que retornar. Além disso, foi aprovada a contratação de um roteador substituto temporário, que trabalhará em regime de contrato intermitente e já foi avisado de que não terá direito a estabilidade, plano de saúde ou paciência dos moradores. "Ele sabe no que está se metendo", comentou a síndica. "Assinou o termo ciente de que o prédio inteiro vai reclamar dele no primeiro dia."

Especialistas em condomínios ouvidos pela reportagem divergem sobre os efeitos da medida. Para o consultor predial Rubens Amâncio, a iniciativa pode virar tendência nacional. "Já recebi ligações de síndicos de São Paulo, Curitiba e Recife querendo saber como formalizar férias para interfones, elevadores e até para aquele portão eletrônico que vive travando", contou. Já a psicóloga organizacional Cláudia Prado alerta para o risco de "antropomorfização excessiva de equipamentos de rede", mas admite que, no caso do Solar das Acácias, "o roteador realmente parece cansado".

Ao final da assembleia, os moradores aprovaram também a criação de uma comissão para acompanhar o retorno do equipamento, batizada de "Comissão de Recepção ao Roteador", que preparará um café da manhã simbólico e uma faixa com os dizeres "Bem-vindo de volta, campeão". O roteador, procurado pela reportagem, não quis comentar: limitou-se a piscar três vezes a luz verde, gesto que os presentes interpretaram como "aceito os termos, mas quero revisão salarial em janeiro".