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Visão Pixelada: Quando os games adoram bananar o Brasil e a América Latina

Em uma abordagem de diseño digital que podemos chamar de "tropicalização pixelada", a América Latina e, especialmente, o nosso país tropical, o Brasil, são retratados em videogames de forma, digamos, singular. Não sabemos se rimos, se choramos, ou se pegamos a nossa bandeira verde e amarelo e agitamos orgulhosamente ao toque da nossa vitoriosa versão 8-bit do Hino Nacional.

Personagem de game no Rio

Vamos começar nossa jornada pelos mundos criados pelos residentes de "Street Fighter". Se visitarmos a arena de Blanka, vamos encontrar o que parece ser um conceito impecável de Brasil: floresta densa, cobras enormes se arrastando ao fundo e, naturalmente, um enorme peixe boi. Nada grita "Brasil" como a luta corporal em um mangue ao lado de um providencial peixe boi.

E anotemos que Blanka, nosso representante de pele esverdeada, é constantemente retratado como um selvagem, com poucas palavras e muitos rugidos. Ah, e ele controla a eletricidade pois, adivinhe, foi atingido por um raio. Deixando para lá a falácia do apelo à natureza, este é um curso intensivo sobre como não retratar o Brasil.

Códigos culturais à parte, vamos considerar a audácia com a qual muitos videogames se atreveram a retratar o nosso continente latino-americano. Lembra do "Just Cause"? Rico Rodriguez, com seu sotaque caricaturizado, é o herói de uma série de revoluções em uma ilha fictícia. Claro, porque toda a América Latina é uma pequena ilha no Caribe esperando por uma revolta, certo?

Rico Rodriguez sobrevoando favela

Outro fantástico exemplo vem do jogo "Resident Evil 5", onde a trama se desenvolve em uma cidade africana cujo amanhã é praticamente indistinguível de uma favela brasileira. A abordagem altamente militarizada da polícia local, conjuntamente com os zumbis casualmente caminhando pela vizinhança, retratam uma visão um tanto distante da realidade. Predominam os estereótipos dos confins tropicais do mundo, com gravatas de ossos sobre a pele nua e rituais estranhos de vodu que causariam riso, não fosse a natureza totalmente desconectada da realidade.

Por fim, temos o "Max Payne 3", onde estamos permanentemente em alguma espécie de favela tropical. Todos estão constantemente suando, balas voam dos confins de cada beco e bairros inteiros parecem derivar da criatividade desenfreada de um cenógrafo de telenovelas mexicanas.

Max Payne correndo pelo beco

Conclusão? Os videogames gostam de nos bananar, sim, amigos. Lambança cultural ou desconexão pura, a América Latina é retratada tal como a Europa na Idade das Trevas. Literalmente, uma terra de selvagens. E claro, essa imagem é tão errada que só pode ser considerada hilariante. Despertem, designers de jogos, nós sabemos rir de nós mesmos e, com certeza, estamos rindo de vocês.

Agora, se me dão licença, tenho que subir em minha canoa e remar para casa enquanto esquivo dos jacarés. Até mais, gamers!